Cuiabá, 03 de agosto de 2020

De repente

Por: Ana Claudia Fortes - 14 de abril de 2020

Tudo caminhava normalmente, a vida fluía alegremente, íamos e voltávamos, cumpríamos com os nossos compromissos e afazeres diários. Tínhamos tanta liberdade, éramos tão felizes, e nem valorizávamos.

Repentinamente, num instante, à terra parou. Não podíamos mais sair, ir e vir. Em casa, tivemos que verdadeiramente morar, sem unhas feitas, cabelos bagunçados, barbas por fazer e os cabelos brancos começaram a aparecer naturalmente para o nosso desespero.

Muitos foram cozinhar, passar, lavar, limpar, recolher o lixo, cortar a grama, preparar o café da manhã, o almoço e o jantar, e, principalmente, cuidar dos filhos em tempo integral, pois, muitos dispensaram seus funcionários domésticos. Os casais tiveram que aprender a driblar as intrigas do dia a dia, por não ter opção. E para nossa surpresa, estamos todos dando conta.

Não estamos indo a nenhum shopping, ou parque, ou à academia, nem shows, nem viajando, e olha, estamos caminhando bem. Também não estamos comprando, bolsas, sapatos, roupas, nem indo à restaurante, etc, mas, estamos VIVOS, olha, estamos VIVOS!

Quase quarenta dias já se passaram e pouquíssimas vezes utilizamos o cartão de crédito, débito, etc, e mesmo assim, os dias vão e vem, normalmente.

Estamos tendo que nos REINVENTAR, reconectar com a vida, com as pessoas, com a nação, com o planeta, com o Alto. Deus se tornou o “cara” mais citado e lembrado nessa temporada de coronavírus. Vivemos tempos difíceis? Sim. Necessários? Quem é que sabe. Já pensaram que talvez precisássemos desse vírus altamente contagioso, como forma de nos alinharmos para nos REENCONTRARMOS?

O comércio está fechado, as ruas estão vazias, a economia está capenga, os empresários preocupados, muitos desempregados, bancos de saúde (hospitais) sobrecarregados, os políticos fazendo politicagem, os governantes editando decretos e mais decretos,  muitos deles deixando a população ainda mais confusa, as contas bancárias vazias, as escolas suspensas, mas, vocês viram como as pessoas estão conversando mais? E as coisas que não nos foram retiradas, viram como estamos executando-as sem aquela pressa dos tempos modernos, sem o IMEDIATISMO da era digital?

Não passa despercebido que na verdade, globalmente, estamos todos perdidos, desorientados, sem rumo, um barco à deriva? Um choque de realidade?

Mas, em contrapartida, a natureza está mais ridente, os dias estão surgindo mais claros, o sol tem nos cumprimentado de forma ainda mais radiante, nos colocando à disposição e gratuitamente muita vitamina D, o céu está mais estrelado, e o luar tem surgido ainda mais encantador.  A natureza está feliz!

Nesse dia 08 de abril, dia do aniversário de Cuiabá, redijo esse texto, embalada pela síntese da reflexão dos últimos dias, motivados pelo retiro social, em meio a crise da pandemia do coronavírus, e agradeço a Deus, pelas experiências vividas até aqui, pela oportunidade de refazimento, recolhimento e aprendizado.

Pois, em meio a tantas mudanças repentinas, Ele tem nos mostrado, que temos uma capacidade salutar de adaptação, nos fazendo com isso, perceber que não somos tão frágeis, e temos dentro de nós uma coragem inovadora e contagiante. Temos visto que podemos mudar e recriar hábitos, mesmo que sem aviso prévio.

Deus em sua imensa Casa de Amor está nos oportunizando perceber que é possível RESSIGNIFICAR para viver, tendo em vista que isso é o que há de mais nobre, porque VIVER, nos faz amadurecer, enquanto espíritos errantes que precisamos evoluir para crescer.

Aqui estamos apenas de passagem, e, vejo como um “privilégio” vivermos esse momento de experiência epidêmica em que fez cada um de nós ir em busca da coragem, da paciência, da fé e prática da caridade moral, para com o nosso semelhante, pois, eu cuido de você e você cuida de mim e a Superioridade Divina, cuida de nós.

Enquanto a cura dessa doença não chega, vamos continuar cuidando dos nossos pensamentos, das nossas famílias, da nossa casa física e interior, do nosso trabalho, dos amigos, vizinhos, etc nos zelando, nos protegendo, nos amando.

Isso, amemos uns aos outros, deixemos o amor entrar em nossos lares, pois, ele traz paz e esperança. A calamidade é passageira, mas, o seu legado será para sempre, vez que está nos fazendo galgar ascensão moral, ético e espiritual, pelo menos isso é o que se espera de cada um. Essa experiência inédita tem que servir para alguma coisa.

Vamos continuar transmitindo afeto nesses dias de isolamento, mesmo sendo doado por meio de chamadas de vídeo, ou menagens de whatsapp, ligações comum, um aceno pela janela, etc, vez que são gestos determinantes, para manter acesa a fé, que é filha legítima da esperança, do reencontro, daquele que se encontra sozinho de abraços, beijos, sorrisos, e carinhos, em decorrência da clausula familiar e social, e tão logo, voltaremos a trilhar às ruas, e dessa vez, creio, que muito mais conscientes para fazermos cada um, a nossa parte em prol da evangelização da saúde mundial.

Gisele Nascimento é advogada em Mato Grosso