Cuiabá, 30 de outubro de 2020

Governador fala sobre decreto que libera funcionamento de comércio

Por: Ana Claudia Fortes - 26 de março de 2020

Durante a entrevista coletiva, via rede social, realizada nesta quinta-feira (26.03), o Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, foi enfático sobre o isolamento social e sobre o funcionamento do comércio, desde que os estabelecimentos sigam as normas de segurança, prevenção e combate ao coronavírus.

O Governador assinou o decreto que circulou hoje no publicado no Diário Oficial, reforçando as medidas que têm sido adotadas pelo Gabinete de Situação de Mato Grosso. As ações também ficam vinculadas às prefeituras, de modo a não haver divergências entre as medidas tomadas pelo Estado e pelos municípios.

Confira a entrevista:

NJ-A presidente do Sindicado dos Investigadores da Polícia Civil de MT fez uma denúncia dizendo que o governo do estado ainda não forneceu materiais de proteção para os policiais que estão de serviço. Tem alguma previsão?

R: Conforme os meios de comunicações mundiais, nos Estados Unidos está faltando materiais de EPI (Equipamentos de Proteção Individual). Preciso que os servidores de cidadão que tenham calma. Estamos tomando todas as providências para tentar solucionar esse problema, tentando importar da China e em qualquer lugar do Brasil, e a prioridade é para os profissionais da saúde que lidam diretamente com os possíveis contaminados e nos hospitais. Na sequência, vamos distribuir.

NJ- Além de conter a doença no Estado, quais outros desafios que os Governos têm à frente e que ainda não foram superados?

R: É natural, o aumento desse vírus é no mundo inteiro. Aqui em Mato Grosso, com as projeções, certamente deve haver aumento. Não conseguimos controlar isso por decreto e sim por atitude e ações. E é isso o governo tem proposto, o isolamento social. Cuidar dos nossos idosos, manter a distância segura, evitar abraços e beijo, fazer a limpeza adequada nos locais de trabalho.

Nosso desafio é manter o a atividade econômica, porque se não, o remédio que aplicarmos no combate a essa doença, pode matar muita gente de fome, com o desemprego, então esse é o grande desafio, o equilíbrio econômico.  Vamos cuidar para salvar vidas, mas também para não arruinar a vida de milhares de mato-grossenses.

 

NJ-O senhor e demais governadores assinaram uma carta endereçada ao presidente, ontem. O senhor acredita que o presidente joga contra os chefes dos Estados e desconsidera a gravidade dessa pandemia?

R: Não vou colocar mais lenha na fogueira. Tenho defendido e vou agir com equilíbrio. Se alguém faz algo errado, não me dá o direito de fazer também. Este momento é de união, de equilíbrio, e deixar de ser egoísta, temos que olhar a sociedade.

Vejo algumas pessoas defendendo radicalmente o isolamento social, mas essas pessoas estão com as prateleiras cheias e com dinheiro na conta. Essas pessoas não estão olhando que milhões de mato-grossense não tem essa mesma realidade.

Não estão vendo a realidade das micros e pequenas empresas, e dos trabalhadores. Mais de 60% dos empregos estão nas micros e pequenas empresas. Eles não aguentam 15 dias, um mês parado. Precisamos manter o recuo e distanciamento social e as medidas de higiene, mas precisamos trabalhar.

Não vou adotar a linha do presidente Bolsonaro e nem a linha extremista. A virtude está no equilíbrio. Vamos cuidar da vida e cuidar dos empregos e a economia sejam preservados.

 

NJ- Quais os efeitos, na prática, do estado de calamidade pública para a economia?

R: É termos mais agilidade para fazer aquisições vocacionadas ao coronavírus, como vamos estar de emergência na saúde, as medidas nos permitirá ser mais rápidos na resposta no combate ao coronavírus. Todos sabem que pela burocracia brasileira, uma compra pública pode demorar 3 a 4 meses e não podemos perder 4 dias. Vamos garantir transparência e comprar no melhor preço. Temos que ter agilidade para dar respostas e salvar vidas.

Vamos publicar tudo que for comprado, o Ministério Público de Mato Grosso (MP), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Controladoria Geral do Estado estão participando, devem e podem participar para que o interesse público seja preservado.

 

NJ- O cidadão mato-grossense deve seguir quais recomendações: da Prefeitura de sua cidade, do Governo do Estado ou do Governo Federal? Há unificação entre as recomendações estes três entes?

R: Esse decreto que publicamos no dia de hoje (26.03), unificamos todos os anteriores, unifica todas as decisões e vinculas os municípios de Mato Grosso e se o prefeito quiser agir diferente, ele vai ter que justificar técnica e cientificamente. Queremos que as decisões sejam certas.

 

NJ- O senhor, até agora, tomou medidas e emitiu opiniões muito parecidas com as do presidente Jair Bolsonaro

R: As minhas ideias não são iguais às do presidente Bolsonaro. As minhas ideias são de equilíbrio, sensatez e do meio terço.

Aqui em mato Grosso determinamos sim o convívio social, porém não determinamos a paralisia das atividades econômicas. Todas podem ser exercidas pelo nosso decreto, desde que respeitem as regras sanitárias que podem minimizar a transmissão do vírus.

 

NJ-O Governo tem algum plano de criação de alguma bolsa para os profissionais que tiveram salários suspenso ou foram demitidos por conta do coronavírus?

R: O Governo de Estado de Mato Grosso já está estudando, a nossa Secretária de Assistência Social está elaborando um planejamento para isso, a Secretaria de Fazenda já foi acionada para ver o que podemos fazer nessa linha da assistência social, estávamos aguardando o Governo Federal fazer o comunicado oficial do que ele vai poder ajudar os estados e na próxima semana vamos oficializar o que podemos fazer, além do que já fizemos que foi, em um primeiro momento, adiar que foi adiar o pagamento do IPVA de março e abril e na próxima semana vamos medidas do campo econômico e do campo social.

 

NJ-Qual a estratégia do Governo para manter ativo o setor produtivo e prestação de serviços essenciais diante das medidas restritivas, como por exemplo os bloqueios nas rodovias, adotadas por municípios? Qual a postura do Governo?

R: Nosso decreto traz objetivamente uma vinculação a ele, das medidas adotadas. Óbvio que o prefeito tem sua autonomia, como autoridade sanitária, mas para tomar uma medida restritiva, ele terá que se justificar tecnicamente. O prefeito que quiser parar, ele pode, mas terá que explicar o porquê do bloqueio.

O que defendo, é que tenhamos equilíbrio. Parar de radicalismo, nem o extremo de querer parar tudo, e nem o extremo de achar que nada deve ser feito.

Temos que fazer sim, isso o Governo de Mato Grosso está fazendo, preparando hospitais comprando testes, aumentando novos leitos, contratando servidores. Por enquanto temos 9 casos em Mato Grosso, temos leitos preparados esperando para atender. Duzentos novos leitos sendo construídos em tempo recorde, acoplado a um hospital existente que já tem 60 leitos, com toda uma estrutura já funcionando.

 

NJ- O número de pessoas nas ruas parece ter aumentado após o pronunciamento do presidente que desconsiderou a importância do isolamento social. Estuda usar algum outro tipo de medida para garantir isolamento?

R: Nós continuamos defendendo o isolamento social, e não o isolamento econômico, são duas coisas muito distintas. Não podemos fazer desta crise na saúde, uma grande crise econômica e social. Se não tivermos responsabilidade, poderemos causar um problema muito maior. Temos que tomar as medidas para tratar o problema da saúde, e isso o governo está fazendo.

Mantemos em Mato Grosso o isolamento social, e dando a liberdade para as atividades econômicas trabalharem, respeitando as normas da vigilância sanitária.

 

NJ- Porque o Lancem tem demorado tanto para entregar os resultados dos casos suspeitos, em especial, das cidades do interior?

R: Primeiro é importante frisar que só na quinta-feira passada, o Lacem reuniu as comissões técnicas para realizar os testes aqui em Cuiabá, até então, todas as amostras coletadas eram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz em São P e que tinham um grande congestionamento. Nós ainda estamos esperando teste que de amostras que foram encaminhadas para lá. A velocidade e capacidade técnica do Lacem, é efetivamente tanto de acordo com a disponibilidade dos kits enviados pelo Ministério da Saúde como pela ampliação da equipe

Já ampliamos a capacidade de horário dos técnicos do Lacem, inclusive coma programação de máquinas.

É importante avisar que não faremos testes em todos os casos suspeitos, vamos passar a testar com mais prioridades os profissionais de saúde dentro dos hospitais e os casos agravados. Não há kits para fazer teste em toda a população e nem é essa a recomendação do Ministério da Saúde. 80% da população vai ter sintomas leves e não vão precisar ir a UPA, o que dirá fazer o teste. Estamos comprando 10 mil testes rápidos e materiais de EPI para utilizar dentro das nossas unidades hospitalares, para dar segurança aos nossos profissionais de saúde e testar os casos agravados.