Cuiabá, 03 de agosto de 2020

O que está por vir

Por: Ana Claudia Fortes - 14 de julho de 2020

Jornalista Onofre Ribeiro

Na última sexta-feira assisti a uma live no youtube envolvendo o maestro Fabrício Carvalho e o presidente da Federação das Indústrias, Gustavo Oliveira. Foi uma conversa muito produtiva e lúcida. Mas gostaria de me ater a dois pontos que mais me chamaram a atenção. A industrialização de Mato Grosso e o uso de tecnologias.

A primeira questão foi a expectativa de industrialização do estado. A tese em geral aceita é a de que a produção agropecuária deveria ser totalmente industrializada aqui antes de ser exportada interna e externamente.

Gustavo lembrou que a produção agro em Mato Grosso se dá em um ambiente de grande uso de tecnologias, que demandam grande incorporações tecnológicas. A industrialização vem se dando gradualmente. Mas é um processo.

Desde 1990 quando o agro se tornou a vocação do estado, o uso de tecnologias cresceu verticalmente. Assim com a produtividade, as máquinas e os métodos, processos da produção e experiência dos produtores individuais e empresariais. Mas a plena industrialização de toda a produção exportada e de consumo interno já sai da esfera estadual.

Depende muito da macroeconomia brasileira. E esta depende do humor dos mercados mundiais. E estes olham pra insegurança jurídica do Brasil nos campos tributário, trabalhista, ambiental e governamental.

Os investimentos futuros na direção de uma plena industrialização dependem desses fatores. Do ponto de vista interno e estadual não. Temos empreendedores preparados. Vocação comercial. Mercados abertos ou se abrindo. E o melhor: know-how muito evoluído.

Mas se considerarmos os avanços da industrialização da produção agropecuária não podemos deixar de olhar pros estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde a agricultura se desenvolveu primeiro. A industrialização veio gradualmente. Demorou cerca de 50 anos. Mato Grosso tem 26 anos de produção destacada. A primeira grande safra de soja foi em 1994, com 3 milhões e meio de toneladas. A indústria de máquinas no Sul veio depois da produção. No Sudeste também. Em Mato Grosso não será diferente.

Sinais claros já são vistos. A produção do etanol de milho é uma vertente fantástica e recente. O milho de safrinha, colhido neste mês, era apenas uma ação de proteção do solo. Hoje é tão comercial quanto a primeira safra. Uma indústria arrasta atrás de si uma enorme cadeia de outras menores e abre campo pros serviços e pro comércio.

Fiquei muito animado com a live de Fabrício e Gustavo. Afinal, discussões maduras começam a navegar no cenário estadual. Tudo ao seu tempo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.