Cuiabá, 03 de agosto de 2020

Período de imbecilidade

Por: Ana Claudia Fortes - 16 de abril de 2020

Procurador de Justiça, Marcelo Ferra

Tenho acompanhado a discussão sobre a utilização da cloroquina no tratamento do Coronavírus e a conclusão que cheguei foi bem pontual: POLITIZARAM A DISCUSSÃO mais uma vez.

Infelizmente, o Brasil vive um período de imbecilidade coletiva, no qual há dois tipos bem definidos e característicos: a) aqueles que sempre observam o lado negativo em tudo e aproveitam para criticar o governo; e b) os que se dedicam exclusivamente a postagens em prol do governo, defendo-o em todas ocasiões, sem qualquer reflexão, adjetivando os que criticam o governo, vendo-os como inimigos.

As postagens são notoriamente diferentes, antagônicas, mas os dois grupos têm em comum a IMBECILIDADE e o DESSERVIÇO AO PAÍS.

Os antagonistas do governo são incapazes de elogiar alguns avanços no setor da infraestrutura, a aprovação de algumas reformas duras mas necessárias, a assinatura de alguns acordos de livre comércio e a preservação de boa parte da equipe econômica do governo anterior que a meu ver eram técnicos qualificados e tenho fé que poderão trazer resultados positivos ao país.

Os defensores, por sua vez, reagem a mínima crítica, rotulando todos que não concordam com o governo de petista ou comunistas, criando a todo momento teorias conspiratórias, alguns chegam ao absurdo de achar que há uma coalizão mundial para derrubar o atual governo brasileiro. Estes, não têm nenhum pudor de postar fakes contra os adversários. São incapazes de reconhecer que se poderia chegar ao resultado pretendido de forma diferente.

Tenho certeza que todos nós conhecemos pessoas que pertencem a um dos grupos, eu mesmo tenho primos e amigos, que se comportam como “idiotas” por trás do teclado. Fico impressionado como a coragem das pessoas aumenta atrás de uma tela.

Vou dizer algo que talvez deixe uma parcela das pessoas chocadas ou estarrecidas: HÁ PESSOAS QUE PODEM NÃO GOSTAR DO LULA E DO BOLSONARO SIMULTANEAMENTE.

Fiz esta brincadeira para alertar que, entre estes extremos, barulhentos e insuportáveis, há uma boa parcela da população que está atenta, vigilante e preocupada com o futuro do país e para estes o fato de ter votado ou não no Presidente ou no Governador ou no Prefeito, não o torna governo ou oposição, pois são cidadãos que desejam o bem do país, não se limitando a bajulação ou à crítica, mas serão fiscais do gestor e, dependendo da atitude, aplaudirão ou criticarão.

Encerrando, assim vejo a questão da cloroquina, de um lado alguns que ressaltam os efeitos colaterais dela, que existem, aliás, há muito tempo, pois não é um remédio novo.

Todo medicamente tem efeito colateral e, se servir para melhorar uma parcela dos infectados, já será um grande feito. De outro lado, aqueles que exaltam a pesquisa francesa sobre a utilização da cloroquina como se fosse nossa, brasileira, logo terá alguém dizendo “remédio do Bolsonaro” (escrevam rs). Estes se esquecem que remédio não é vacina.

Se os resultados são positivos, ótimo, o que não muda o fato que devemos trabalhar para diminuir a velocidade da propagação, a fim de que não sobrecarregue o sistema de saúde. Há remédio para a maioria das doenças sexualmente transmissíveis, mas o governo deve incentivar o uso do preservativo. Parece óbvio.

Se o isolamento é o melhor caminho, confesso que não sei, cursei direito, não medicina, mas não posso negar que diversos países o adotaram, inclusive os Estados Unidos, símbolo do capitalismo.

Talvez, o isolamento sirva apenas para adiar o pico e ele venha mais tarde e seja o caos, como também pode servir para, quando o pico vier ou se vier, estarmos melhor preparados

As incertezas são grandes, mas tenho certeza os profissionais da saúde estão tentando o melhor caminho.

Haverá sim consequências à economia, com ou sem isolamento, pois o Brasil não é isolado do mundo e recessão mundial nos afetará. Infelizmente, a economia não é, como alguns insinuam, um botão on/off de controle remoto, que basta determinar a reabertura do comércio que não haverá crise ou demissão. Que bom seria, mas de ilusão não se vive.

Não sabemos quando superaremos este vírus, nem precisar suas consequências. Espero que seja o mais rápido possível e que as consequências não sejam tão danosas.

Quando superarmos, quem sabe possamos também nos dedicar um pouco a abolição deste vírus da desunião e maniqueísmo que nos afeta também.

Reflitam, aprendam a aceitar as divergências, quem pensa diferente de você não é seu adversário, pode apenas estar observando sobre uma nova perspectiva que você ainda não se atentou.

Marcelo Ferra é procurador de Justiça.