Cuiabá, 31 de outubro de 2020

Presidente da Subseção de Colíder fala sobre apoio da OAB-MT e atuação dos advogados em cenário restritivo

Por: Ana Claudia Fortes - 1 de maio de 2020

Pres. da subseção da OAB de Colíder, Silvio Eduardo Polidório

Ingressar no mercado de trabalho após concluir a graduação não é tarefa fácil, principalmente em tempos de crise na saúde e na economia do país. Tal panorama parece acirrar ainda mais quando se trata do mercado da advocacia, tornando o mercado mais desafiador para jovens advogados.

Em entrevista ao Newsjur, o presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Colíder, Silvio Eduardo Polidório, fala sobre os desafios do advogado em um cenário de restrição devido à pandemia, as medidas adotadas para dar suporte aos novos profissionais e o apoio recebido da OAB-MT.

 

NJ- Desde que assumiu a entidade, quais foram as maiores conquistas?

R: A nossa ascensão ao cargo de presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, na 11ª Subseção de Colíder-MT (633 Km de Cuiabá) se deu através de um projeto coletivo, com a adesão de 92% dos advogados inscritos em nossa subseção, em uma eleição de chapa única.

Creio que a unificação dos grupos de trabalho em prol da união da classe foram as maiores dificuldades enfrentadas inicialmente e que culminaram nas maiores conquistas.

Hoje, temos constituídas seis comissões temáticas atuantes nos mais variados ramos do direito e da sociedade, colocando a OAB em um patamar de destaque em nível social. Podemos dizer que atingir e cumprir com o papel social constitucionalmente estabelecido é nossa maior conquista.

NJ- Atualmente, qual a maior prioridade a ser trabalhada na Subseção?

R: A maior prioridade atualmente é a valorização da advocacia, que vem pautada nas mais diversas demandas, tais como: a defesa das prerrogativas, ampla garantia do exercício da profissão e mais especialmente nas medidas tomadas para auxílio à classe neste momento nefasto que vivenciamos.

NJ- Como é a relação da Subseção com a Seccional MT?

R: A relação de nossa Subseção com a Seccional de Mato Grosso não poderia ser melhor. Somos posição, ou seja, integramos o grupo que ajudou a eleger a atual diretoria da Seccional, que teve o maior índice histórico de aprovação na gestão passada, e pela primeira vez em Mato Grosso pudemos ver uma eleição de chapa única.

A atual diretoria tem cuidado do advogado como jamais ocorreu antes. O compromisso, a atenção despendida, são sem precedentes e dignos de elogios. Somos atendidos prontamente em todas as demandas levadas ao presidente Leonardo Campos e ao restante da diretoria, o que nos coloca em uma situação invejável. Creio que os presidentes que me antecederam não tiveram a mesma sorte que temos tido ultimamente.

NJ- Existem investimentos nas pequenas localidades?

R: Não só existem investimentos, como também existem repasses pontuais, que nos permitem realizar as mais diversas campanhas sociais e manter nossa estrutura funcional.

Em Colíder, realizamos mais de 10 campanhas anuais, com foco nas pessoas mais necessitadas e naqueles que clamam por ter seu direito reconhecido, mas não têm acesso aos meios necessários. Além disso, temos uma estrutura excepcional para atender as advogadas e advogados, com uma sede dotada de auditório, sala de estudos, sala de atendimento, sala de aula e amplo espaço de lazer.

Contamos também com salas nos Fóruns das Comarcas que integram nossa Subseção, dotadas de computadores, mecanismos de digitação, atendentes e todo conforto necessário para receber os membros da classe e também a sociedade. Tudo isso somente foi possível em virtude do suporte dado pela Seccional.

NJ-Quais são os principais desafios do advogado em um cenário de restrição nesse momento de pandemia?

R: A maior dificuldade é manter o fluxo de trabalho e de caixa, com a paralisação parcial dos trabalhos e atendimentos por parte do Judiciário e alguns órgãos da administração pública. Os profissionais da advocacia estão precisando se reinventar, aderir às novas tecnologias, tais como as videoconferências, julgamentos e audiências virtuais.

Além disso, deve ter cuidado para proteger sua saúde, já que a linha de frente do sistema judiciário como um todo é composta pelas advogadas e advogados que tem o primeiro e o maior contato com as partes, testemunhas e demais pessoas envolvidas em um processo.

NJ-Com o alto número de advogados no mercado, qual é a medida ideal para dar suporte à nova advocacia?

R: Tenho uma posição pessoal bem na contramão da maioria. Não acredito que o mercado esteja saturado. Creio que a OAB tem desenvolvido um papel singular na preparação das jovens advogadas e advogados para o mercado de trabalho, seja com a fiscalização e exigência de um estudo de qualidade junto às instituições de ensino, seja na recepção aos quadros da classe. Isso se dá com o fornecimento de acesso de diversos cursos preparatórios e de especialização, o que coloca os ingressos em paridade para concorrência com aqueles já estabelecidos.

NJ-Quais as principais dificuldades do dia a dia da profissão em sua cidade?

R: Minha Cidade é pequena, com um comércio ativo e uma economia forte, tanto que somos os últimos da região a sentir os impactos de toda crise que apareça. Além disso, temos uma gama de bons profissionais ingressando no mercado e cada vez mais as advogadas e advogados têm se preparado, estudado e especializado.

Creio que a maior dificuldade que enfrentamos aqui não difere muito das demais localidades, que é nos manter atualizados e preparados para enfrentar as mudanças que acontecem em nosso meio, sejam na forma de atuação com a chegada das novas tecnologias, ou de conhecimento, para não chegarmos por último.

NJ-De que forma você resumiria os avanços no que diz respeito à prestação de serviço da Ordem para a advocacia?

R: Resumiria em singularidade. Nunca vimos algo tão positivo e tão profícuo. O suporte e cuidado que a OAB tem dispendido aos seus inscritos é sem precedentes. Hoje os profissionais da classe gozam de cuidados em todas as direções e diretrizes imagináveis, seja para com a saúde física e mental, financeiro, crescimento intelectual e tecnológico e muito mais.

NJ- Existe uma insatisfação dos profissionais do direito com o judiciário no que se refere à morosidade, número insuficiente de magistrados… de que forma o sr. avalia essa situação?

R: A insatisfação é constante, principalmente nas comarcas de interior, onde um juiz é designado para responder por mais de uma vara e, muitas vezes, em comarcas distintas.

Isso acarreta dificuldade de acesso e morosidade na máquina judiciária. Tenho que confessar que temos visto avanços e muitos profissionais que mesmo enfrentando este acúmulo de trabalho, prestam um serviço digno de aplausos, mas ainda estamos muito distantes do ideal, até no caminho, mas distantes.