Cuiabá, 27 de novembro de 2020

Qual a hora de parar…?

Por: Ana Claudia Fortes - 12 de novembro de 2020

Advogado Renato Gomes Nery

A conturbada eleição presidencial dos EUA revelou que estava sendo disputada basicamente por dois anciões. Um de 74 anos e o outro que venceu as referidas eleições de 77 anos que quando assumir o mandato estará com 78 anos e quando terminá-lo estará com 82 dois anos. Sendo o mais velho Presidente a assumir um mandato naquele País.

Na idade dos dois postulantes, acima referidos, a maioria das pessoas já largou de há muito tempo o cabo do guatambu. Eles são exceções?  Isto me faz indagar, o seguinte: qual a hora de parar? Confesso que não saberia dizer. Estou com 68 anos e trabalho no mesmo ofício, há mais de 04 décadas, e confesso que cansei da dura lida advocatícia. Propus a parar há seis anos quando fui acometido de um câncer no intestino grosso. De lá para cá não aceitei nenhum patrocínio de causas. Debato-me com um passivo imenso de causas litigiosas que depois de um lustro insistem em me desafiar.

Confesso que estou entediado com a nova rotina depois que me propus a parar. Sempre trabalhei muito desde menino, mas não sei o que fazer com o ócio! Cabeça vazia oficina do capeta! Lembro sempre deste ditado muito utilizado pelo meu pai.  Será que não posso mais ser útil para sociedade? Acredito que posso fazer muito mais do que incomodar os meus leitores com o disco furado dos meus artigos semanais. O escritor Will Durant disse que na juventude nós temos a força e na velhice a luz, mas que esta sem aquela não tem nenhuma serventia. Será?

 Amealhei e acumulei uma larga experiência de vida, seja por que sempre fui muito curioso, o que me levou aos livros, seja por que vivi e trabalhei intensamente. Não sou um jurista, mas um advogado experimentado que cansou do ofício que consiste no estresse de procurar resolver os problemas dos outros.

 Fico, portanto, na minha rotina dos que não têm o que fazer, pensando se não devo sair desta crônica acomodação e me propor a fazer alguma, pois a vida é uma obra inacabada e a minha não acabou ainda. Acho que preciso de uma atitude que me faça ter um objetivo para continuar a ser útil a comunidade, pois a hora de descansar somente acontecerá no último suspiro. Constato que estou vivo e devo me inspirar na teimosia das pessoas acima referidas – que devem ter como mantra: o jogo somente acaba quando termina.

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br Site – www.renatogomesnery.com.br