Cuiabá, 24 de outubro de 2020

Um gambá cheira o outro

Por: Ana Claudia Fortes - 23 de julho de 2020

Advogado Renato Gomes Nery

Existe um lugar comum que é muito usado em livros e filmes: qualquer semelhança é mera coincidência. Isto quer dizer que os fatos narrados não são reais, mas sim criação da mente fértil do autor. Quando se vir duas flores do lácio, incultas e belas juntas, não é mera consciência. Neste caso é a magia da lei da atração de dois iguais, pois os semelhantes são irrefreavelmente atraídos um pelo outro.  Se existir um engano e os dois não forem iguais ou semelhantes a relação não vai em frente.

As relações pessoais e, notadamente, os casamentos desfeitos são uma prova irrefutável do que foi acima afirmado. É preciso ter muitas coisas em comum para que uma relação seja ela qual for se estabeleça. Um gambá que tem um cheiro insuportável somente pode se aproximar e se relacionar com outro gambá que tem o mesmo cheiro, conforme ensina a sabedoria popular.

É falsa a afirmação de que os opostos se atraem. Isto pode acontecer no princípio, mas a convivência demonstrará ao contrário. Se com algumas identidades já é difícil uma relação, sem elas as relações são improváveis. Se os princípios, opiniões e posturas de uns e o das outras pessoas, com quem se relacionam, são outros, as relações estão fadadas ao fracasso. Estou falando sobre o óbvio, mas algumas pessoas são míopes ou cegas e não confiam em provas e evidências.

Se disser para uma pessoa teimosa que bater a cabeça na parede dói e esta insistir pode quebrar a cabeça, se terá respostas como: a vida é minha e eu faço dela o que eu quiser ou me dê o direito de quebrar a minha cabeça. Só que não existem duas vidas, assim como não existem duas cabeças!

Pouca coisa pode ser pior que a soberba, própria de boa parte dos mais jovens, mas que não poupa os mais velhos a quem vida não lhes serviu de escola.  A avaliação de erros cometidos na vida somente virá muito tempo depois quando não haverá mais remédio e o ônus destes desatinos serão pesadíssimos e/ou irreversíveis.

Quem prestar atenção no correr, desenrolar e percalços da vida, certamente vai refletir sobre o que eu estou afirmando neste texto, pois não pude fazer coisa melhor, premido pelo tédio deste atual/massacrante cotidiano, pela morte pandêmica que espera a todos, sem distinção, na próxima esquina e deste País que não para de nos assombrar.

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br